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quarta-feira, 25 de agosto de 2021

[Crítica] O Esquadrão Suicida - 2021

 


Bem, quando soube que haveria uma continuação para O Esquadrão Suicida, fiquei empolgado e apreensivo ao mesmo tempo. Embora tenha gostado muito do filme original, exceto pela personagem interpretada (pessimamente) por Cara Delevingne e por vários pontos fracos no roteiro, ainda assim, foi um filme muito divertido de se assistir. 

Margot Robbie, que roubou a cena, como Harley Quinn, foi o ponto alto daquele filme, sem dúvidas. Contudo, a continuação se difere bastante do filme original, e não exatamente por bons motivos, a começar por seu diretor: James Gunn, o mesmo de Guardiães da Galáxia, filme bastante questionável em termos de roteiro e atuação.

Não me parece ter sido uma escolha acertada. Explicarei em detalhes, no decorrer do texto.

O Esquadrão Suicida parte da mesma premissa do filme anterior: supervilões são "convocados" para salvar o mundo, sob as ordens de Amanda Waller, e, como antes, eles não têm a opção de dizer "não". É o tradicional "sair da frigideira para cair no fogo". Desta vez, liderados por Bloodsport, Harley Quinn, Ratcatcher 2, Polka Dot Man, The Shark King e Colonel Rick Flag, são despachados para uma ilha chamada Corto Maltese, onde terão de encarar a milícia local e, com um pouco de sorte, salvar o mundo.



O problema começa aí: a primeira hora de filme é bastante focada na comédia (ao pior estilo), com piadas bobas e muito sangue jorrando na tela. Dá para dizer que não acrescenta quase nada ao filme. Porém, tendo em mente que falamos de O Esquadrão Suicida, é difícil dizer se é um filme para ser levado à sério ou se é um "filme pipoca". Fico no meio do caminho, nesta situação. James Gunn parece gostar muito de fazer hora; enrola, faz piadas toscas, demora a desenvolver o enredo. Fiquei me perguntando se o filme melhoraria, mesmo com a presença de Harley Quinn, um pouco minimizada nesta primeira parte.

Já a segunda hora do filme melhora bastante. A boa e velha formula de traição entre membros de uma mesma equipe nunca desaponta, e é aí que o filme desponta. Há ótimas cenas de ação, as piadas melhoram de nível, a história (embora bem louca) começa a ter mais profundidade, e as atuações começam a ser mais interessantes. Bloodsport, Ratcatcher 2 e Harley Quinn comandam o show, enquanto os outros personagens também possuem bons momentos de brilho. Gunn parece saber fazer melhor seu trabalho quando seus filmes passam da primeira hora. 

Várias surpresas acontecem. Algumas bizarras, mas interessantes. Não parece o mesmo filme. Consegui ver referências à várias outras produções, mas, como minha memória não é a mais confiável, assim como Amanda Waller, não vou conseguir elencar tudo, mas muita coisa foi reaproveitada pelo filme, e com bastante eficácia. Acredito que os próprios atores se sentiram mais confiantes em desempenhar seus papeis, pois o roteiro melhora bastante, prende a atenção até o final. 

Acredito que a DC descobriu uma mina de ouro ao escalar Margot Robbie para ser Harley Quinn, e podendo estar enganado, já que estou longe de ser um cinéfilo e acompanhar o cenário, Harley está levando os filmes da DC para um novo patamar, algo que se poderia esperar (com mais facilidade) de Superman e Batman, mas o carisma de Margot e insana doçura de Harley Quinn (quase uma heroína), me levam a pensar que ela seja o melhor caminho, exceto pelo filme solo do Coringa.

Como de costume, não adentro muito a trama, para que cada pessoa tire sua própria conclusão, mas, dando meu pitaco final, digo: é um filme superior ao antecessor, mas por menos do que eu esperava.

sábado, 31 de julho de 2021

Opinião: A nostalgia como forma de produto


Quem não gosta de lembrar de games, séries, filmes, desenhos e músicas que marcaram sua infância e adolescência? Tenho certeza que você já lembrou disso tudo aí, não é mesmo? Seja da geração z, Millenium ou cringe, tenho observado como o fator nostalgia aquece e se transforma em produto. Desde o ano passado, pude notar como o famoso comeback tem apostado forte na nostalgia em várias mídias. Conversando com os membros do Confr4ria, vi que isso se faz cada vez mais presente: desde a roupa de um herói a uma regravação de um single, tudo isso faz com que o fã pire nessa vibe retrô que o leva  a seus momentos áureos do famoso "Era feliz e não sabia".

É o RBD que faz uma live especial, Sandy e Júnior, que fazem uma turnê história, do nada, em 2019, Digimon ganhando uma releitura, filmes Disney ganhando personagens de carne e osso e uma nova forma de ser contada e até vilãs que assumem o posto de protagonista de sua própria história. He-Man sendo repaginado para a Netflix, personagens lendários fazendo participação em novas franquias de Power Rangers, Friends fazendo reunião após 17 anos, Gossip Girl ganhando um reboot; os famosos Looney Tunes jogando basquete, agora em 3D, em Space Jam: Um Novo legado, Stranger Things abusando de referências dos anos 80, à á Spibelrg e teorias da conspiração; Mortal Kombat voltando em 2021, Matrix preparando para ganhar um 4º filme, Karatê Kid ganhando uma nova continuação e uma nova história em "Cobra Kai", Big Brother Brasil 21 que apostou em provas e referências com base em edições icônicas; Duna sendo aguardado para estrear em Outubro, Evanescence lançando um cd inédito após anos; Juliana Silveira regravando as músicas icônicas de Floribella, Taylor Swift regravando  TODAS as suas músicas (tudo bem que a maioria das músicas tinha problemas entre a cantora e a gravadora), Avril Lavigne preparando o seu mais novo cd, querendo voltar às origens, como foi em "Let it Go" e tantos outros.










Todos esses exemplos aí em cima provam que a nostalgia está mais viva do que nunca. Talvez nos anos de 2020 e no ano em que estamos, ela se fortaleceu ainda mais. Aí vem o questionamento: será que essa nostalgia é para buscar um novo público ou pescar a "velharia"? O fato é que as duas hipóteses estão corretas. Dissertarei mais sobre elas.

Convenhamos que o mundo precisa de dinheiro e a indústria do entretenimento também não seria diferente. Apostar na nostalgia para atrair um novo público é, sim, uma decisão estratégica, bastante coerente para o mundo dos negócios. Quem não viu os desenhos da Disney clássicos, agora tem a chance de ver em formato live-action. Não pense que a Disney faz isso porque ela é "boazinha", mas, sim, porque é muito mais negócio atrair a galerinha nova de agora e, de bônus, ainda alcançar os pais que cresceram assistindo, o famoso "Matar dois coelhos com uma cajadada só".


Agora falar sobre a famosa "velharia", os fãs de tudo isso que citei em alguns parágrafos acima, de fato gostam quando algo tão marcante para você, ganha uma nova cara. Prova disto é He-Man: Salvando Eternia, Friends: A Reunião e até Sandy e Júnior: Nossa História. Digo isst porque fã gosta de ser mimado e isso aí soa como um frescor para essa velha-guarda. Quem cresceu assistindo e ouvindo isso tudo, sempre desejou um encontro ou uma continuação. Vamos combinar que, algumas vezes, temos direções duvidosas que podem, sem dúvida, estragar o legado de séries conceituadas, mas nada que não possa ser sanado com os bons e velhos "clássicos".





Para isto, é interessante pensar em como a indústria quer te vender aquilo. Eu, como bom fã de Sandy e Júnior, ao ver o seu retorno, fiquei empolgado, e não deu muito tempo e já foi anunciado um box de colecionador com todos os cds, novas camisas e, claro, um cd e um dvd do show. Vou até entrar nos preços em si, para que você veja que não é brincadeira.

 O valor do box "Nossa História: Deluxe", que contempla o cd e o dvd do show, a paleta do Júnior, fotos icônicas da turnê, box em formato triângulo, entradas vips que levavam à passagem de som, cópia do ingresso, tudo isso em um preço nada mais, nada menos que R$ 350 e, detalhe, só compra cd e dvd do último show quem comprar o box; não há opção de comprar separado. Isso tudo contemplado em uma caixa, sem dúvida é uma imersão de nostalgia ao fã, porém, me questiono: precisava ser um valor tão alto? 

O país em uma pandemia e cobrando quase R$ 450 para cd, dvd e papeis impressos de uma gráfica? Será que isso é justo? Sandy e Júnior não ficariam menos ricos, cobrando um valor mais acessível e dando a possibilidade de comprar os produtos separados a quem não tem condição de pagar esse valor. Percebe-se, aqui, como tudo faz com que a nostalgia muitas vezes te deixa refém? Claro que comprar ou não é uma opção de cada um, mas se oferecem esse valor e somente esse valor, é porque existem pessoas que adquirem.

Box Nossa História Deluxe

A nostalgia é um fator que vende e vende muito. Por mais que não aceitamos, ela está aí. No fim das contas, aquilo de alguma forma vai virar negócios; desde a entrada do cinema, camisas, bonecos, um cd, um dvd da série e fora muitas maneiras que o próprio fã decide usar a sua criatividade para transformar seu objeto de estimação em produto. Não é só a indústria que cria algo novo; o fã mais nostálgico também pode criar produtos para saciar seu desejo quase parasítico de relembrar coisas de seu passado, distante ou não. Aquilo de: "se você quer reviver seu passado, terá de pagar o preço por isto". E, convenhamos, isto funciona muito bem, quase como vender um copo d'água para alguém sedento.





A nostalgia, como produto, é um movimento que vem crescendo cada vez mais. Será que precisamos  ter tudo aquilo que somos oferecidos? Será que vamos "morrer" se ficarmos sem determinada coisa? Isso tudo, de alguma forma, é para nos fazer gastar; por isso, você, leitor, use o bom senso: ao invés de querer logo os mimos da nostalgia, que são enormes chamarizes, pense no quanto eles realmente valem para você, e não se deixe levar pelo consumismo, já que este o levará, quase que certamente, a um endividamento.

domingo, 11 de julho de 2021

Filmes: Viúva Negra (2021)

Pôster do filme

Viúva Negra: uma grata surpresa da Marvel

Bom, quem me conhece, sabe uma coisa sobre mim: eu não gosto dos filmes da Marvel. Não vi todos; o último havia sido Doutor Estranho (2016), e não fiquei com uma boa impressão dele. Então, esperar de mim gostar de algo do universo cinematográfico da Marvel é, no mínimo, esperar demais.

Contudo, resolvi dar uma chance ao filme da Viúva Negra (2021), e já aviso: o filme é muito bom; superou, e em muito, minhas expectativas. Talvez pelo o fato de eu achar que viria algo bobo e infantilizado, como eles fazem em algumas de suas produções, mas não foi o que aconteceu. O que aconteceu, meus caros, foi um filme carregado de drama, ótimas atuações e um roteiro muito sólido. Com seus defeitos, mas bem interessante e atraente.

Natasha Romanoff

Para ser bem franco com vocês, eu veria o filme apenas para ver Scarlett Johansson (minha musa inspiradora) na telinha, mas acabei sendo deleitado com um filme de excelente qualidade dramática, o tipo de filme que gosto. Black Widow, ao meu ver, não se trata de um simples filme de ação, mas de um drama com cenas de ação. Desde os primeiros minutos, já fica claro que o desenrolar da estória terá forte impacto sobre todos os seus personagens, e, apesar de algumas coisas previsíveis, o filme não falha em mostrar o passado de Natasha e sua família.

Muito pelo contrário: tudo é muito bem contado, com detalhes bastantes realistas, mesmo para um filme de super-heróis. Eu pude ver a agonia pela qual Natasha passava ao ter de encarar antigos demônios, inclusive a si própria. A alcunha de Viúva Negra cai como uma luva sobre ela: sangue, morte, traições e decepções a rodeiam, e ela não consegue digerir.

Natasha e sua família

Claro, quem conseguiria, se fosse traído e abandonado por aqueles que diziam amar? Convenhamos, tarefa hercúlea, para dizer o mínimo. A jornada de Natasha está cheia de descobertas e lembranças de um passado de 21 anos. Parece pouco, mas imaginem viver uma mentira por tantos anos? Não à toa, ela sente uma enorme amargura dentro de si. Já estive lá, sei como é a sensação.

Ao longo das 2 horas de filme, a personagem evolui para alguém que nos aproximamos; alguém que queremos ver alcançar a felicidade, e não só ela. Até mesmo o vilão do filme (ou um dos), merece ter uma vida digna. Scarlett é muito convincente nas partes dramáticas; soube passar a dor e o remorso que a Viúva carrega. Nas partes de ação, não tanto, talvez por eu considerar Viúva Negra um filme de drama com cenas de ação, como disse, no início do texto. 

Natasha e sua belíssima irmã, Yelena

Bem, não darei detalhes da trama, pois o ideal é cada um formar sua própria opinião, mas digo com muito prazer: Viúva Negra foi uma grata surpresa. Quem assistir, não irá se decepcionar

Trailer do filme

domingo, 20 de junho de 2021

Filmes: Luca (2021)

Pôster do filme

Mais uma vez a Pixar e a Disney surpreendem! Se engana quem acha que as animações são feitas somente para as crianças. Impossível não ver essa animação e ligar à Pequena Sereia (1989). Só que ao invés de trabalhar a questão do amor romantizado, a Pixar prova mais uma vez que boas amizades devem ser importantes para uma vida toda. Situado na famosa Riviera Italiana e muito bem contextualizados com o idioma e costumes locais, conhecemos nosso protagonista, uma espécie de  monstro marinho que sempre foi orientado por seus pais em uma educação rigorosa, a nunca conhecer a superfície, porém um dia ele conhece Alberto, que também é um monstro marinho. Só que o seu diferencial é que ele ama a superfície e quando monstros marinhos deixam a superfície, eles automaticamente se tornam humanos, uma espécie de autodefesa.

Alberto e Luca

Alberto se torna uma espécie de mentor, especialista do mundo humano e passa para Luca todo seu aprendizado e as vantagens deste universo, até então desconhecido. É muito interessante como a amizade dos dois tem uma parceria e uma troca muito boa, como nas amizades em que um entende mais de um assunto do que o outro. A sintonia de Luca e Alberto, e principalmente por serem crianças, trazem toda uma inocência, e isso serve de base para todo o desenvolvimento da narrativa.

Luca relaxando na água

É interessante como o diretor ainda aponta no cenário humano, a questão das diferenças. Para o ser humano,  o monstro é sempre que fará o mau, apenas por ele ser diferente. Mas, aí vem o questionamento: será que o diferente é sempre ruim? A chegada de Giulia vem para reforçar justamente isso. Ela acolhe Luca e Alberto, mesmo sem saber o que eles realmente são, simplesmente pela amizade. Mais uma vez, aqui, se reforça que não é preciso de muito para ser feliz. Somente bons amigos. Giulia ainda apresenta à dupla o Campeonato Portosso, que é uma importante competição local que consiste em nadar, andar de bicicleta e comer macarrão. Tudo isso com o principal objetivo de vencer o pentacampeão, e vilão, Ercole Visconti, que torna-se um forte concorrente e faz de tudo para atrapalhar o trio.

Giulia, Luca e Alberto

O longa não busca deixar o foco na presença do vilão Ercole. Ele é mais um desafiador. Apesar de mostrar traços como a intolerância ao diferente, ele ajuda a contar a história do protagonista. A animação ainda consegue ser um prato cheio de aventuras. É impossível não se apegar ao trio e viver os desafios junto com eles. Luca é o cara que só quer viver, Giulia é aquela curiosa que quer descobrir mais do mar, enquanto Alberto representa a liberdade, e ao mesmo tempo, o medo de mostrar quem realmente ele é.

Ercole, o vilão do filme

O que talvez deixe a desejar seja a mitologia dos seres marinhos, claro que isso não é um defeito digamos grave, mesmo assim  a história funciona perfeitamente. O filme tem material de sobra para dar o pontapé inicial, mostrar as suas motivações e mostrar os seus maiores conflitos sem que essa história dos monstros marinhos seja explicada e isso também pode ser considerado um ótimo ponto positivo

Luca e Alberto se divertindo

Luca é um filme necessário. Ele vem para provar que não precisa de muitos efeitos especiais e nem muita fírula para se contar uma história. A obra consegue mostrar que a amizade da infância é algo que todos os adultos desejam, por mais que ninguém assuma para si mesmo. E mais ainda, a trama consegue tocar em um assunto muito discutido no ano de 2021: a intolerância e o preconceito, temas que mostram como a auto aceitação se faz presente e que as pessoas não precisam julgar o outro por ser diferente, mas sim se deve aceitá-los, sobre laços que devem ser levados para todo uma vida.

Filmes: Homem-Aranha (Trilogia do Sam Raimi)

                           

Fala, galera!!! Marquinhos Parker aqui na área! Decidi trazer uma análise especial da Trilogia do Homem-Aranha de Sam Raimi. Eu gosto bastante dessa trilogia, inclusive após o filme de 2002, passei a gostar mais do Aranha. É bom ressaltar também que o Peter Parker/Homem-Aranha aqui estava no início, então nem Marvel ou Sony sabiam do que iria se tornar. Então, confere aí uma análise detalhada de todos os filmes da trilogia e deixe a sua opinião sobre essas obras polêmicas.

- HOMEM-ARANHA (2002)


Pôster do primeiro filme

A direção de Sam Raimi, é muito assertiva em trazer o herói para o cinema, além de trazer novidades. O elenco de peso contava com nomes como de Tobey Maguire, James Franco, Kristen Dust, Willian Dafoe, Elizabeth Banks, J.K Simons, Rosemary Harris, Cliff Robertson e tantos outros.
Tobey Maguire como Peter Parker/Homem-Aranha

O enredo trata de Peter Parker (Tobey Maguire), um jovem órfão que mora  com seus tios Ben e May Parker, que um dia no laboratório de análise de aranhas genéticamente modificadas, uma das aranhas pica Peter,  dando ao protagonista poderes de aranha. Do outro lado temos Norman Osborn (Willian Dafoe), que ao testar os ampliadores de desempenho para conseguir prestígio na Oscorp, por um acidente, acaba desenvolvendo um dupla personalidade maligna: o Duende Verde!

James Franco como Harry Osborn

Raimi trouxe a história de origem do herói em um tom  muito convidativo, que já fisga desde a abertura encantadora, até nos primeiros minutos de filme. Conhecemos então Peter, um cara que sempre sonhou em namorar sua vizinha, Mary Jane Watson (Kristen Dust), a  garota mais popular e bonita da escola. Também somos apresentados à Harry Osborn (James Franco), seu melhor amigo.

Willian Dafoe como Norman Osobrn/ Duende Verde

Outro ponto que vale ser destacado e analisado é que muitas pessoas falaram que esse Homem-Aranha de Raimi, não foi fiel aos quadrinhos. Discordo. Sam Raimi trouxe muitas homenagens de cenas clássicas nesse primeiro filme, fazendo boas referências a momentos importantes da trama.

Quadrinhos e filme

O uniforme e o visual do Homem-Aranha, foi mantido com base nos quadrinhos. Aqui nesse filme, o uniforme lembra aquele do desenho do Cabeça-de-Teia, de 1994. Tanto o herói, como o próprio Peter, lembram a fase inicial dos quadrinhos, mostrando um cara mais maduro, mas que ainda tem motivações de uma vida comum, um amor, ou trabalhar por conta própria e pagar sua faculdade.

Homem-Aranha da série animada de 1994
                                                       
As cenas de ação também foram muito bem trabalhadas e dirigidas. Sabemos que o Duende Verde é um grande inimigo do Aranha e foi a escolha certa para estar nas telonas. Os efeitos especiais fizeram o filme se tornar grandioso e instigante de assistir, mesmo que ainda estivéssemos no início da Era dos Heróis nos Cinemas, os efeitos especiais desse filme foram um divisor de águas, assim como ocorreu tamém no filme X-Men - O Filme de 2000. Quando eu era criança, de tão empolgado que fiquei com o filme, saí do cinema achando que era o Homem-Aranha! Principalmente na parte de lançar teias! Minha amada mãe teve que sair correndo atrás de minha pessoa para eu não me perder no shopping!

Cena mais do que épica do primeiro filme

Para as mulheres que acham que esse filme é só para os meninos... ENGANAÇÃO!!! O romance e as relações amorosas apresentadas estão presentes na película, além dos conflitos de Peter e o romance com Mary Jane. A história de amor de Peter e Mary Jane também é um ponto legal a ser observado não só nesse filme, mas também em outros filmes da sequência. 

Cena mais do que clássica do beijo de Mary Jane e o Cabeça de Teia

Outro ponto legal é a trilha sonora, tanto o instrumental, quanto as bandas. São musicas que conversam muito com o filme. Aquela abertura com a música tema do filme retrata em todas as formas o que é o Homem-Aranha em sua essência. Além dela, outros instrumentais deram o tom certo de tamanha grandeza  para Peter, Harry, Norman e tantos os outros personagens.

                Uma das músicas do filme                     
                             
Nesse primeiro filme, destaco a atuação de Tobey Maguire, como um excelente Peter Parker. Ele trouxe leveza e determinação, além de todas as motivações do herói e do nerd do Queens, apaixonado desde sempre pela sua vizinha Mary Jane. Um ponto interessante que foi desenvolvido ao longo do filme foi a relação entre Peter e MJ. Um outro ator importante foi Wllian Dafoe, que foi espetacular como vilão de Duende Verde. Sua atuação chegava até a assombrar. Sua dupla personalidade, uma como pai do Harry, e a outra louca e psíquica como o Duende Verde, eram bem diferentes uma da outra. Seu intuito era se vingar das pessoas, que de alguma forma, lhe prejudicaram em sua vida profissional. Até mesmo contra o próprio Peter e Mary Jane ele quis vingança por problemas pessoais. Por último, mas não menos importante, destaco Kirsten Dust, que trouxe todo temperamento da Mary Jane, desde a popular aluna do colégio, ao seus conflitos com seu pai, até sua vida amorosa com os garotos do colégio.

O trio principal: Dafoe, Maguire e Dunst

- HOMEM-ARANHA 2 (2004)

Pôster do segundo filme

E chegamos ao Homem-Aranha 2 (2004),  dois anos após o original! Aqui o diretor continua a trazer pontos novos, pontos a serem  desenvolvidos. Raimi mostra novos conflitos de Peter/Homem-Aranha em relação a sua identidade e a responsabilidade de seguir como o Aranha, além de pagar seu aluguel, morando em um apartamento com seu melhor amigo, HarryPor falar em Harry, ele nesse filme fica obcecado em saber qual é a identidade do Homem-Aranha, para poder se vingar da morte de seu pai, e por fazer a Oscorp se tornar ainda maior, além dos sonhos de seu pai. Mary Jane se tornou uma atriz de teatro e está noiva de John Jameson, filho de J.J. Jamenson.

Outro pôster do filme

Nessa continuação somos apresentados ao Dr. Otto Octavius (Alfred Molina), um cientista bancado pela Oscorp, que sua principal motivação é construir uma fusão nuclear, gerando energia barata para toda cidade Nova Iorque. Para auxiliar em sua invenção, o inventor  criou uns braços mecânicos para  ajudar a estabilizar a energia. Durante uma apresentação, acontece uma sobrecarga de energia e o chip inibidor que possui a função de controlar o que a mente diz para os braços, sofre um curto, então os braços passam a controlar o que Otto deve ou não fazer, criando assim o Dr. Octopus e sua maior motivação é de novo criar uma nova fusão ainda maior que a primeira e destruir toda cidade.

O Dr. Octopus (Alfred Molina)

Nesse filme, vemos Peter cada vez mais confrontado em ser ou não o Homem-Aranha. Ao saber que May Jane vai se casar, ele fica extremamente mexido e seus poderes de Aranha começam a ficar desestabilizados, então Peter começa a se questionar se de fato, ele deve deixar os poderes de Aranha para trás e voltar ser apenas um civilUm grande conflito de identidade acontece e isso é tratado como muita sensibilidade. Raimi traz uma importante referência às Hq´s nessa parte, em que Peter toma a decisão de deixar o herói de lado e seguir apenas como o nerd que sempre foi

Referência linda, referência bem feita, referência fantástica!!!

Nesse continuação também vemos Mary Jane chegando mais próximo de seu sonho. Aqui ela já se torna atriz de teatro e fica noiva de Jonh Jameson, como já escrito mais acima. John é um importante astronauta em Nova Iorque, filho de J.J. Jameson. Enquanto isso, sua relação com Peter fica confusa, após a decepção de seu melhor amigo faltar em sua estreia numa peça de teatro, Mary Jane decide se afastar de Peter. Quando ele quer recomeçar sua relação de onde parou com ela, MJ já está seguindo sua vida, agora como noiva. Depois de descobrir que Peter é o Homem-Aranha, sua cabeça fica confusa em relação aos seus sentimentos. Ela não sabe se deve continuar sendo noiva de alguém que conheceu há pouco tempo e nem ama de verdade, ou recomeçar com seu melhor amigo e verdadeiro amor.

Peter e Mary Jane

Neste segundo filme, Harry fica cada vez mais obcecado pelo Homem-Aranha e quer questionar e confrontá-lo sobre a morte de seu pai. Ele então descobre que o Homem-Aranha é seu melhor amigo Peter Parker, e com isso, descobre as motivações de seu pai, Norman. Então o próprio Norman (meio que além túmulo) o instiga a vingar sua morte e se tornar o Duende Jr..

Harry a ponto de se vingar do Aranha

O uniforme recebeu algumas atualizações, e agora está mais estilizado, como por exemplo, as teias que circulam tanto na máscara, como no resto da roupa, foram reforçadas de um tom mais prata, destacando mais a cor e os "olhos" do Aranha ficaram mais claros, além de aumentar a saturação do tom vermelho da roupa.
                                             
O uniforme do Aranha no segundo filme

Homem Aranha 2 termina com perfeição em seu auge. Tudo o que podíamos esperar para o próximo filme era Harry se tornando vilão, Mary Jane e Peter se acertando, entre outras coisinhas mais. A receita para o novo filme já estava pronta e as expectativas também, por isso vamos falar de Homem-Aranha 3 agora na sequência!

- HOMEM-ARANHA 3(2007)

Pôster do terceiro filme

Nesse continuação e fechamento da trilogia, 3 anos após Homem-Aranha 2. A vida não poderia estar melhor para Peter e MJ. Peter avançou em seu namoro com Mary Jane, preparando se para se tornar noivo de Mary Jane e finalmente se casarem. Além disso, na faculdade ele é um dos alunos mais inteligentes, chegando próximo de Gwen Stacy (Bryce Dallas Howard), aluna mais brilhante da faculdade. Mary Jane chega aos grandes musicais como na Broadway, e sua vida profissional está chegando próximo do seu sonho realizado. Harry está focado em se tornar o Duende Jr., com  a ajuda de seu pai que o incentiva à vingança contra Peter Parker.

Peter e MJ vivem os melhores momentos de suas vidas

Existe aqui a chegada de novos personagens, como Flint Marko (Thomas Haden Church), um ladrão foragido que roubou e matou tio Ben para conseguir o dinheiro do tratamento de sua filha, e por último, mas não menos importante, temos Eddie Brock (Topher Grace), um fotógrafo arroganteegoísta que chega para disputar uma vaga com Peter e tirar fotos do Aranha para o Clarim Diário. Após todas essas informações, temos a premissa de Homem Aranha 3. Agora vamos à análise desse filme!

O Aranha vai atrás de Flint Marko

Homem Aranha 3 foi considerado um dos piores filmes da franquia, principalmente pela crítica especializada. O maior erro, sem dúvida, foi o excesso de vilões. Poderiam ter focado somente em Harry se tornando o Duende Macabro. Flint Marco, o Homem-Areia, foi totalmente desnecessário. Além de destruir a história de origem do Homem-Aranha, colocando-o como o verdadeiro culpado pela morte de Tio Ben. Sua motivação como vilão, de fazer o que estava fazendo para ter dinheiro para curar a sua filha Penne, foi rasa. 

Marko já como o Homem-Areia

Eddie  Brock se tornou Venom apenas nos minutos finais. Era um personagem que poderia ter sido melhor desenvolvido, tanto no ódio que ele sentia pelo Peter, quanto pelo Homem-Aranha. Além do que o simbionte no filme, foi muito mal trabalhado, colocado de forma aleatória, sem uma explicação convincente. Apenas caiu do espaço e foi parar na moto de Peter, sem motivo algum. Em momento nenhum do filme isso foi desenvolvido ou explicado, como ocorreu no desenho de 1994, em que ele chegou do espaço através de Jonh Jameson, o astronauta, pela sua nave, em uma missão, algo muito mais coerente dentro do universo.

Isso daí é o Venom!!!

Nesse filme, Peter talvez seja um personagem mais incoerente do que foi em toda a trilogia, ficando cada vez mais cheio de si, por ser o Homem-Aranha, e em momento nenhum vemos a humildade e simplicidade nele como nos filmes anteriores. Ao contrário, ele ficou completamente destoante, ficou totalmente agressivo, mas ele já estava dessa forma, muito antes de receber o simbionte.

O famoso e esquecível Peter Emo

Harry tinha tudo para ser um vilão incrível, com o  encerramento do segundo filme. Quando chegamos no porão da casa de Harry, vemos máscaras incríveis e assustadoras que dariam o tom certo para o Duende Jr. se desenvolver e, para nossa decepção, a máscara escolhida é a pior de todas! Uma máscara infantil, quase uma máscara de um snowboard. O mesmo digo dos planadores. Com várias opções, até a mesmo a utilizada pelo Duende Verde, só que mais estilizado e prateado, o planador é apenas uma prancha sem graça, bem ao estilo snowboard.

Harry como o vilão, Duende Jr.

Nessa obra, Mary Jane é a personagem mais coerente de todas. Aqui, depois de ser retirada do musical da Broadway, ela tenta desabafar com Peter, porém ele não a entende e nem a escuta por quase todo o filme. Em um dia de comemoração, em que o Homem-Aranha ganharia a chave da cidade por salvar a filha do prefeito, Peter/Homem-Aranha beija Gwen Stacy da mesma forma como beijou Mary Jane pela primeira vez no primeiro filme. Após essas decepções com Peter, por não ser ouvida e nem entendida, ela chama Harry para ser seu ombro amigo e acaba se envolvendo com ele romanticamente. Aqui vemos uma Mary Jane completamente sozinha e em uma relação desgastada com Peter.

A belíssima Dunst em Homem-Aranha 3

Talvez o que salve nesse filme sejam apenas as cenas de ação. Momentos como o Homem-Aranha salvando Gwen do guindaste no prédio ou o Homem-Aranha com uniforme negro, são cenas grandiosas e muito bem estruturadas e  dirigidas.

A cena do resgate

Homem-Aranha 3 possui mais pontos negativos, do que positivos. Um Homem-Aranha que tinha tudo para ser grandioso, ficou um filme fraco e sem conteúdo, com diálogos fracos e pouco desenvolvidos. Personagens importantes ficaram apagados e com pouco desenvolvimento. Tanto a critica, como o público, estranharam esse longa, pois parecia uma outra direçãodiferente das feitas por Sam Raimi. Depois, outros filmes do Homem-Aranha vieram, mas sinto que nesses outros, o Homem-Aranha se perdeu. Virou indústria. Agora só se faz novos filmes para vender bonecos e fazer dinheiro.

Tchau, tchau, amiguinhos!